Durante o voo de retorno a Roma, ao fim de sua viagem apostólica à países do Continente Africano, o Papa Leão XIV concedeu entrevista a jornalistas e tratou de temas centrais do cenário internacional e da vida da Igreja. Entre os destaques, reafirmou que, como pastor, não pode ser a favor da guerra, diante do sofrimento causado por conflitos e da morte de inocentes, especialmente crianças.
Ao comentar tensões no Oriente Médio, o Pontífice defendeu o diálogo e a promoção de uma cultura de paz, insistindo na necessidade de proteger vidas e respeitar o direito internacional. Ele também condenou a pena de morte, reforçando que toda vida humana deve ser respeitada “desde a concepção até a morte natural”.
Na questão migratória, classificou o fenômeno como um desafio global e levantou um questionamento direto: “qual é a responsabilidade dos países mais ricos diante das dificuldades enfrentadas pelas nações mais pobres?” O Papa criticou situações em que migrantes são tratados de forma desumana e defendeu políticas que aliem organização nas fronteiras com respeito à dignidade humana.
Bênçãos e unidade da Igreja
Ao ser questionado sobre a possibilidade de bênçãos a casais do mesmo sexo, especialmente após iniciativas em dioceses da Alemanha, o Papa respondeu de forma cuidadosa, buscando evitar reduções do debate a um único tema moral.
Segundo ele, a unidade da Igreja não deve ser construída a partir de questões ligadas exclusivamente à moral sexual, mas também considerar aspectos mais amplos, como justiça, liberdade, dignidade humana e igualdade. Nesse sentido, recordou que a Santa Sé já se manifestou sobre o tema, indicando que não concorda com a formalização de bênçãos a casais em situações irregulares, incluindo casais do mesmo sexo, além do que já foi estabelecido anteriormente pelo magistério.
Leão XIV afirmou: “A Santa Sé deixou claro (ao episcopado alemão) que não concordamos com a bênção formalizada de casais do mesmo sexo ou de casais em situações irregulares, além do que foi especificamente permitido pelo Papa Francisco, ao dizer que todas as pessoas recebam a bênção. Quando um sacerdote dá a bênção no final da Missa, quando o Papa dá a bênção no final de uma grande celebração como a que tivemos hoje, há bênçãos para todas as pessoas”.
Ao mesmo tempo, o Pontífice fez questão de reforçar que a Igreja permanece aberta a todos. Retomando a expressão popularizada pelo Papa Francisco — “todos, todos, todos” —, explicou que a bênção, no contexto da Igreja, é dirigida às pessoas, e não à validação de situações específicas. Assim, todos são acolhidos, convidados a caminhar na fé e a buscar a conversão em suas próprias vidas.
O Papa ainda alertou que avançar além do que já foi definido nesse campo pode gerar mais divisões do que unidade, reforçando a importância de manter a comunhão da Igreja centrada em Jesus Cristo e no seu ensinamento.
Missão pastoral e próximos passos
Ao final, Papa Leão XIV destacou que sua principal missão nas viagens apostólicas é anunciar o Evangelho e estar próximo do povo, especialmente em seus sofrimentos. Ele também manifestou o desejo de visitar países da América Latina, embora ainda sem confirmação oficial de datas.





