Uma manifestação de famílias indígenas dos povos Tupinikim e Guarani bloqueou, na manhã deste sábado (21), o trecho da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), em Resplendor, no Leste de Minas. Com o bloqueio, as viagens do Trem de Passageiros foram interrompidas em ambos os sentidos. O grupo de indígenas denuncia ausência de reparação após os 10 anos do rompimento da barragem de Mariana (MG).
Os manifestantes ocuparam a linha férrea com pneus, faixas e cartazes com palavras de ordem contra a Vale, a Samarco e BHP Billiton. Alguns indígenas portam lança e arco e flecha.
Segundo os manifestantes, o rompimento da barragem impactou territórios e povos tradicionais. Eles afirmam que o Novo Acordo do Rio Doce não dá segurança aos povos indígenas sobre o Auxílio de Subsistência Emergencial. Ainda segundo os indígenas, o povo Tupinikim foi excluído das decisões que definiram os acordos de compensação.
Exigências dos manifestantes
Segundo texto divulgado por representantes dos indígenas que fazem parte da manifestação, o grupo pede “a abertura de um processo de negociação que respeite os direitos dos povos originários. Para as comunidades, a reparação não pode ser definida sem a participação direta daqueles que foram afetados pelos impactos do crime socioambiental.” Ainda segundo o grupo, cerca de 1.600 indígenas teriam ficado de fora do processo.

Trem de Passageiros tem viagens interrompidas
Devido a manifestação, as viagens do Trem de Passageiros da EFVM foram interrompidas em ambos os sentidos neste sábado. Por meio de nota, a Vale informou que “adotará as medidas cabíveis para garantir a liberação e operação segura da via. Os passageiros que tinham viagem agendada para este sábado (21) podem remarcar o bilhete ou pedir o reembolso do valor investido na compra da passagem no prazo de até 30 dias. Mais informações podem ser solicitadas por meio do canal Alô Vale (0800 285 7000).”
O que diz a Samarco
Em nota, a Samarco disse que “em relação aos povos indígenas, comunidades quilombolas e tradicionais, a empresa reafirma seu compromisso com a reparação integral, nos termos estabelecidos no Novo Acordo do Rio Doce.”





