A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Governador Valadares (MG), divulgou nessa segunda-feira (28), o resultado do terceiro Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa) de 2026, realizado entre os dias 31 de agosto e 4 de setembro. Segundo a pasta, a pesquisa foi feita em 5.934 imóveis de 95 localidades e mostra que 5,2% deles tinham focos do mosquito transmissor de dengue, Zika e chikungunya.
Conforme a SMS, o levantamento aponta que, a cada cem imóveis, pouco mais de cinco apresentam criadouros do vetor. O índice é maior que o de maio (4,1%), mas é igual ao de janeiro e menor que o de novembro do ano passado (5,7%).
Segundo os critérios do Ministério da Saúde, índices até 1% são considerados satisfatórios, de 1% a 3,9% indicam alerta e acima de 4% são classificados como de alto risco para epidemias, faixa em que Valadares permanece.
Perigo dentro de casa
O novo LIRAa aponta que, em Valadares, mais de 90% dos focos continuam dentro dos domicílios. Ralos, calhas, lajes e tanques respondem por 45,1% dos criadouros, percentual praticamente estável em relação a maio (45,4%). Os vasos e pratos de plantas aparecem em seguida, com 32,4%. Em seguida estão os reservatórios secundários de água (9,5%) e lixo (5,5%). Os depósitos naturais, como as bromélias, somaram 3,8%, e os pneus, 3,2%.
Situação por regiões (extratos) e bairros
Na comparação com o levantamento anterior, dos 14 estratos, cinco tiveram redução, dois ficaram estáveis e sete registraram aumento. Cinco estratos estão com índices abaixo de 3%.
A maior queda foi no estrato 2 (Grã-Duquesa, Maria Eugênia, Santo Agostinho, Morada do Vale I, Lagoa Santa, Morada do Vale, Cidade Nova, Vale Verde, Esperança e Ouro Verde), que saiu de 6,8% para 2,1%. Os estratos 6 (Centro, Esplanada, Esplanadinha e São Pedro) e 9 (Vila Império, São Cristóvão, Jardim Pérola, Kennedy, Bela Vista, Fraternidade, Vila Ozanan, São José, N. Sra. Fátima, Parque Olímpico) permaneceram estáveis, ambos em 2,9%.
Os aumentos mais expressivos foram no estrato 10 (Santa Rita), de 4,2% para 9,5%, e no estrato 12 (Atalaia, Ipê, Vale do Sol, Cidade Jardim e Asteca), de 3,8% para 8,9%. As áreas com índices mais altos recebem atenção prioritária das equipes de campo.
Medidas para reverter o cenário
O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Governador Valadares informou que tem enviado equipes para as áreas mais críticas apontadas pelo LIRAa, buscando agir antes que a infestação se traduza em casos. Atualmente, 300 pontos estratégicos, os locais com maior potencial de gerar focos, recebem visitas semanais. Na primeira e na terceira semana do mês, as equipes fazem vistorias para eliminar larvas e pupas. Na segunda e na quarta, é feita a borrifação contra os mosquitos adultos.
O CCZ informou que atualmente não há notificações de arboviroses no Município, por isso o fumacê não está sendo aplicado. A medida é adotada quando há pessoas doentes.
A SMS informou que atua através do Núcleo de Educação, em fase experimental, que produz materiais e projetos educativos para a população e realiza treinamentos internos. Um sistema de monitoramento, com planilha acessada pelo celular dos supervisores, registra e avalia o trabalho de cada agente em campo.
O Município ainda trabalha para ampliar a articulação entre as secretarias de Saúde, Obras e Meio Ambiente, considerada estratégica para eliminar criadouros de forma preventiva. O plano de contingência para arboviroses está vigente, e o Comitê Municipal de Investigação de Casos e Óbitos (VIGIARE-GV) já realizou seis reuniões em 2026.





