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Eleições em Minas, Hospital Regional e privatização da Copasa: o balanço do Governo de Minas para o Vale do Rio Doce

by Igor França
junho 20, 2026
in Governador Valadares
Eleições em Minas, Hospital Regional e privatização da Copasa: o balanço do Governo de Minas para o Vale do Rio Doce

FOTO: Rádio Mundo Melhor

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Por Igor França e Sávio Scarabelli 

Em entrevista exclusiva concedida à Rádio Mundo Melhor na última sexta-feira (19), ao jornalista Sávio Scarabelli, o governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD) realizou um balanço detalhado sobre as principais frentes de atuação do Estado. Durante a conversa, o chefe do Executivo abordou uma ampla sinopse de temas essenciais para o futuro da região, incluindo as articulações políticas para as próximas eleições, o cronograma definitivo para a operação do Hospital Regional de Governador Valadares, as estratégias para impulsionar o mercado de trabalho local, os desdobramentos da privatização da Copasa e o destino dos recursos bilionários do novo acordo do Rio Doce.

Eleições e articulação política da direita em Minas Gerais

O cenário político e a manutenção das forças aliadas ao governo estadual pautaram as discussões sobre o futuro de Minas Gerais na entrevista à Rádio Mundo Melhor. Diante da aproximação dos próximos pleitos, as lideranças articulam estratégias para consolidar o campo conservador no Vale do Rio Doce e em todo o território mineiro. O objetivo central apresentado é garantir a continuidade dos projetos atuais, evitando a pulverização de votos que possa beneficiar grupos de oposição histórica no estado.

Mateus Simões reafirmou sua posição como o nome indicado para a sucessão ao Executivo do Estado. O governador destacou a importância da manutenção da aliança entre ele, o senador Cleitinho (Republicanos), o deputado Nikolas Ferreira (PL) e o Romeu Zema (Novo), visando dar continuidade ao projeto atual e evitar o retorno da gestão anterior ao estado. 

“É, eu tenho a leitura de que eu, Cleitinho, Nicolas e Zema deveríamos continuar caminhando juntos, como nós caminhamos até aqui. Separar significa abrir espaço para aqueles que destruíram Minas Gerais voltarem. Eh, vamos lembrar que quando o pessoal do PT teve no governo a última vez, eles atrasaram salários, eles ficaram 4 anos sem dar nenhum reajuste inflacionário, eles deixaram as estradas em péssimo estado, eles acabaram com o estado. É, hospital fechado, obra parada, sem remédio nas farmácias e a gente gasta os 7 anos para reorganizar a casa. Não é possível devolver o ouro pro bandido, né? Entregar o ouro pro bandido. Não quero que isso aconteça. E acho que a melhor forma de garantir que isso não aconteça é eu, Cleitinho, Nicolas e Zema continuarmos juntos. Eu e Cleitinho nunca estivemos em lados diferentes desde que nós entramos na política.”

Para consolidar essa união, a estratégia desenhada prevê a criação de um palanque único para a direita no estado, capaz de abrigar diferentes candidaturas de nível nacional e dar suporte simultâneo aos prefeitáveis do campo conservador. Além disso, o cenário desenhado pelo governador aponta para uma aparente fragilidade da oposição em viabilizar nomes competitivos para a disputa majoritária local, o que eleva o otimismo do grupo governista para os próximos anos.

“O que que me deixa feliz é de ver que a população reconhece o trabalho que foi feito, reconhece tanto que os adversários estão com muita dificuldade de lançar nome. Então eu não vejo Cleitinho nem Nicolas como adversários. Eles fazem parte do mesmo lado político nosso. Mas o PT não consegue achar o nome. Ninguém quer. Eles querem que a Marília seja e a Marília recusa terminantemente. Ela não quer ser governadora, não é? Porque ela sabe que a chance de ganhar essa eleição contra um projeto de manutenção do governo Zema, Mateus é muito baixa. Não quer perder o tempo dela com isso. Isso é um bom sinal, né? Eu acho que é sinal que a gente tem que continuar trabalhando e conversando com calma.”

Hospital Regional de Governador Valadares: cronograma e operação

A estrutura de saúde pública do Vale do Rio Doce está prestes a passar por uma importante ampliação com a finalização do Hospital Regional de Governador Valadares. A construção da unidade de saúde vem sendo realizada por meio de repasses financeiros oriundos da repactuação do acordo de Mariana. O foco do governo agora está concentrado no planejamento cronológico que envolve desde a entrega física da obra até o início real do atendimento à população regional.

O cronograma físico das obras indica que o prédio entrará na fase de acabamento final nas primeiras semanas de julho. A previsão detalhada pelo Estado é de que os blocos A e B estejam com portas e janelas totalmente instaladas até a metade do mês. Por conta de restrições estritas da legislação eleitoral, as entregas oficiais por parte do atual governante só podem ocorrer até os primeiros dias de julho, mas o andamento técnico das obras não sofrerá interrupções.

“A obra até vai ser entregue sim agora no meio do ano. Não vai ser entregue por mim, porque eu só posso fazer entregas até o dia 3 de julho. E a previsão de que as portas e janelas, que é o que tá faltando no bloco A e B, sejam instaladas, é até dia 15 ou 20 de julho. Então, dia 15 ou 20 de julho, o prédio tá pronto. Nós já começamos a compra dos equipamentos grandes que são os que vão ser usados no anexo A e B. O bloco A e o bloco B são os blocos de imagem, né?”

Para que a operação se inicie de forma célere e resolva gargalos urgentes nas filas de exames, o governo adotará um cronograma de abertura gradual dos serviços médicos. O plano estratégico foca na ativação imediata do Centro de Diagnóstico por Imagem nos blocos já concluídos, espelhando experiências anteriores do estado em outras cidades para otimizar os prazos e garantir o pleno funcionamento de metade do hospital até o encerramento do ano corrente.

“A ideia aqui em Valadares é fazer, como nós fizemos em Teófilo Otoni, habilitar primeiro o centro diagnóstico imagem, porque é onde a gente tem mais fila represada de exame na região que a gente consegue começar a desafogar. A compra dos equipamentos já aconteceu, né? O governo do estado já colocou quase R$ 60 milhões de reais, ainda tem mais 25 para comprar o que a operadora quiser comprar. Nós vamos conhecer a operadora dia 26 agora. Então tô, acho, acho que a gente mantém a expectativa. eh inicial de que obra entregue eh entrega para a concessionária e a concessionária, a operadora lá em Teófilo Otoni, eles gastaram 4 meses para entrar em operação. Divinópolis também perto disso. Então imagino que seja próximo disso mesmo. Significa que no final do ano a gente já tem dois blocos rodando completamente”

Mercado de trabalho e desenvolvimento industrial

Governador Valadares e o estado de Minas Gerais vivem um momento econômico singular, caracterizado pela intensa oferta de postos de trabalho e atração de negócios. O estado registrou índices de desemprego historicamente baixos, consolidando-se em uma posição de absoluto destaque na região Sudeste e em todo o país. No entanto, o governador alertou que esse cenário de pleno emprego trouxe um desafio imediato para o setor produtivo local: a escassez de mão de obra qualificada disponível para preencher as vagas em aberto.

Para mitigar o problema e reinserir trabalhadores de forma eficiente no mercado local, o governo estadual estruturou frentes integradas de capacitação e assistência social. Entre as principais medidas está a liberação de recursos para que os municípios construam creches, permitindo que mães de família tenham o suporte necessário para retornar ao ambiente corporativo. Junto a isso, o programa Trilhas de Futuro disponibiliza centenas de vagas de cursos técnicos gratuitos focados na vocação das empresas regionais.

“Mudamos o curso que a gente oferece todo ano para ele bater com aquilo que as empresas estão procurando contratar. Eh, então, e essa é a segunda iniciativa. A terceira iniciativa é um trabalho de apoio a à região, porque ela acabou de ser incluída na área da Sudene, 5 anos já, mas ela não conseguiu se beneficiar ainda disso. Valadares tem pouquíssimos negócios que se instalaram aqui por conta do benefício e o benefício da Sudene vai ficar cada dia mais importante, porque com a reforma tributária os benefícios de CMS vão desaparecer, mas os da Sudene continuam. Então, Valadares passa a ter uma uma diferença, um diferencial com muito bom. Eh, então tem de tudo, são 90, mais de 90 cursos diferentes, tem de técnico agrícola a técnica em robótica, passando por panificação e cosmetologia.”

Além de qualificar a mão de obra, a estratégia regional foca na atração de novas indústrias para diversificar a economia local, que hoje é muito concentrada nos setores de comércio e serviços. Para isso, Governador Valadares foi integrada ao sistema Rede Sim Mais Livre, que desburocratiza e acelera de forma automatizada a abertura de empresas de baixo e médio risco. O governador destacou que os incentivos fiscais da Sudene serão pilares fundamentais de competitividade frente à nova Reforma Tributária.

“O fato de Valadar está fazendo o dever de casa para que seja mais fácil abrir uma empresa aqui, somado com o fato da gente tá treinando a mão de obra, somado com o fato que nós estamos tentando mostrar pro resto das empresas que vale a pena vir para cá por conta de Sudene, vai gerar uma mudança do nosso patamar de industrialização, que hoje é o meu maior desafio na região de Valadares. Eu tenho maior orgulho da gente ser uma cidade de comércio e de serviços, mas isso também é um problema. Comércio e serviço, eles não geram riqueza, eles circulam riqueza, enquanto a indústria e o agronegócio geram riqueza. Então eu tenho que ter o comércio forte, mas eu preciso ter indústria e produção agrícola mais qualificada e a região tem potencial para isso.”

 

O que muda na região do Vale do Rio Doce com os novos investimentos do governo?

Os novos investimentos aplicam R$ 2,8 bilhões da repactuação do acordo do Rio Doce em reflorestamento e proteção de nascentes para conter enchentes na região. Além disso, a privatização da Copasa destinará R$ 650 milhões para a infraestrutura local, enquanto a saúde será reforçada com a entrega do prédio do Hospital Regional de Governador Valadares em julho.

 

Privatização da Copasa e impactos no saneamento

O setor de saneamento básico em Minas Gerais passou por uma transformação estrutural recente com a privatização de 45% da Copasa. O processo de venda movimentou bilhões de reais, impulsionado pela reestruturação e cuidados de gestão aplicados na empresa ao longo dos últimos anos pelo atual governo. Os recursos captados com a desestatização foram carimbados por lei para aplicação exclusiva em áreas sociais e estruturais, como habitação, segurança pública e infraestrutura rodoviária em todo o estado.

Mesmo os municípios que não possuem o abastecimento gerido diretamente pela Copasa, como é o caso de Governador Valadares, receberão fatias significativas desse montante. Na região do entorno de Valadares, centenas de milhões de reais provenientes dessa venda serão injetados de forma direta em obras de malha viária e infraestrutura geral. Para os consumidores das cidades vizinhas que utilizam a companhia, o governo garante que a privatização não altera as regras tarifárias vigentes.

“Primeiro da notícia que Valadares, mesmo não sendo um município servido pela Copasa, vai ser beneficiado pela venda, porque o recurso da venda é pra infraestrutura, segurança, e habitação, não só nas cidades que são copas. Então, vem dinheiro para cá, nós vendemos a companhia por R$ 8.4 bilhões reais, 45% dela. Aí um número de referência, quando começou o governo Zema Mateus, a Copasa inteira valia 7 bilhões. Nós vendemos 45% por 8.4, porque a gente cuidou dessa empresa ao longo desse tempo. Isso virou riqueza para os mineiros. A gente não pode jogar esse dinheiro fora. Esse dinheiro é todo para investimento. Essa discussão que eu tive dos R$ 650 milhões reais que vão ser investidos aqui no entorno infraestrutura é dinheiro da venda da Copasa.”

A principal mudança para a população será a alteração do papel do Estado, que deixa de ser sócio da Copasa e passa a atuar exclusivamente como um agente fiscalizador rigoroso. Essa nova posição jurídica confere ao poder público maior liberdade para aplicar sanções e exigir qualidade nos serviços prestados pelas ruas e bairros. Adicionalmente, as prefeituras de pequenas localidades possuem prazos definidos por lei para aderir ao novo plano de metas da companhia e assegurar a universalização definitiva dos serviços hídricos.

“Para o consumidor, as boas notícias são um, não muda nada em termos de tarifa. Tarifa é a mesma. Preço quem controla a água é o governo do estado. Ele não vai mudar a forma de calcular. Dois, nós agora somos fiscais dessa companhia e não mais sócios da companhia. Isso muda a posição do governo que agora tem condição de exigir que os prazos sejam cumpridos, que quando se quebra alguma coisa na rua, o asfalto seja refeito de forma adequada. Eh, de que a gente tenha implantação do saneamento completo, né? Não basta coletar o esgoto na casa da pessoa, tem que tratar o esgoto antes de devolver ele para dentro do rio Doce. Então, vão ser vão ser anos de muito investimento e de uma melhora significativa do serviço pro cidadão cliente da Copasa.”

Novo acordo do Rio Doce e metas ambientais

A bacia hidrográfica do leste mineiro começará a receber intervenções profundas a partir do anúncio de um pacote histórico de R$ 2,8 bilhões. Os recursos são oriundos de forma direta da repactuação do acordo de reparação do desastre ambiental provocado pelo rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em 2015. O anúncio feito na Rádio Mundo Melhor marca a abertura oficial de um capítulo focado de maneira exclusiva na recuperação florestal e preservação ecológica das áreas impactadas.

Do total de recursos, parcelas bilionárias serão aplicadas especificamente em projetos de reflorestamento em larga escala e na recomposição de toda a vegetação ciliar das margens do Rio Doce. Essa ação tem o objetivo prático de interromper o processo de assoreamento do leito do rio, que é o principal fator responsável pelas inundações e enchentes severas que atingem anualmente cidades populosas como Governador Valadares.

“Esses 2.8 bilhões reais são todos voltados a reflorestamento, R$ 1 bilhão para recuperação das margens do Rio Doce. A projetos de conservação das nossas unidades de conservação, tratamento das nossas unidades de conservação, são mais de 900 milhões. A gente tem hoje nove parques, nove unidades de conservação na região, nós estamos criando mais um, o São João, eh, então vão ser 10 unidades e também o manejo agrícola, né, responsável, que é a presença da Emater junto com esses produtores. Por que que eu tô chamando atenção disso? Reflorestar a margem do doce tem dois objetivos muito práticos e uma promessa, uma possibilidade muito boa. Os dois objetivos práticos são diminuir as enchentes nas cidades.”

O plano prevê a criação de frentes de trabalho coordenadas que avançarão progressivamente ao longo da calha do rio. Aliado ao combate às cheias, o programa implementará ações integradas junto aos pequenos produtores rurais para a proteção das cabeceiras e de nascentes locais através do conceito de “plantar água”, buscando um impacto direto no aumento da resiliência hídrica de toda a região para as próximas décadas.

“Muito da enchente que a gente vive hoje, por exemplo, a ilha aqui e em Valadares alaga quase todo ano, tem a ver com o fato de que o rio foi açoriano porque todo o a margem vai sendo varrida para dentro do rio, falta vegetação ciliar e a gente vai reconstruir isso e não falta de agora não. Essas árvores foram tiradas daqui há 200 anos atrás, quando a região começou a ser ocupada. Nós estamos reconstruindo tudo. […] E a minha ideia é sair com duas frentes contratadas, uma vindo de Mariana e uma vindo de Aimorés pra gente poder vir dano na direção de Valadares e lentamente. Além disso, eh, então essa é a necessidade, né, interromper o assoreamento e as enchentes. Nós também temos uma necessidade de aumentar a produção de água. E aí eu tenho o que a gente chama de plantar água e proteger as nascentes também com reflorestamento.”

Autor

  • Igor França

    Igor França, atua como repórter em diferentes editorias na Rádio Mundo Melhor. Jornalista formado pela Universidade Vale do Rio Doce (Univale), teve atuação de destaque como repórter do Diário do Rio Doce.

Tags: governadordeminasgovernodeminashospitalregionalmateussimõesradiomundomelhor

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