Uma denúncia envolvendo crimes de injúria racial e ameaça de morte mobiliza as autoridades policiais e o setor de educação em Governador Valadares. O caso, que envolve estudantes com idades entre 11 e 14 anos, ocorreu nas dependências da Escola Estadual Júlio Soares, no bairro Universitário. O boletim de ocorrência foi formalizado junto à Polícia Militar na última segunda-feira, dia 25, e o caso foi oficialmente repassado para a Polícia Civil investigar.
Mensagem de socorro e reunião na diretoria
O episódio inicial que desencadeou a denúncia ocorreu no final do turno escolar da última sexta-feira, dia 22. De acordo com os registros oficiais da polícia, uma aluna de 11 anos utilizou o telefone celular para enviar uma mensagem em tom de desabafo para a mãe. No texto, a adoelscente relatou ter sido alvo de insultos racistas por parte de um colega de classe, que utilizou termos estigmatizantes e preconceituosos relacionados à cor da pele da aluna. Conforme consta no boletim de ocorrência, o estudante teria xingado a menina de “macaca” e “diabo preto”.
Diante do relato da filha, a mãe da estudante compareceu imediatamente à instituição de ensino, situada na Rua Israel Pinheiro. No local, foi realizada uma reunião emergencial com a presença da diretora, da vice-diretora e também da responsável pelo aluno apontado como autor das ofensas.
Durante a reunião, a direção escolar confirmou que o jovem admitiu ter proferido xingamentos e pediu desculpas. O fato foi registrado em uma ata interna do colégio e a coordenação orientou a família da vítima a registrar o caso perante as autoridades competentes.
Intimidação no bicicletário e relato de arma branca
A situação, contudo, ganhou novos desdobramentos na segunda-feira seguinte, dia 25, quando a estudante se preparava para retornar para casa. Conforme o depoimento prestado à Polícia Militar, a aluna estava no bicicletário da escola por volta das 17h30 quando foi abordada por outros dois jovens que frequentam a mesma escola.
Os adolescentes teriam perguntado o nome da menina e passado a proferir ameaças verbais. Eles alegaram que o estudante envolvido no caso de injúria racial havia levado uma faca para o interior da escola e afirmaram textualmente que ele a mataria caso a família decidisse registrar um boletim de ocorrência na polícia. Assustada, a adolescente foi para casa e narrou as ameaças à mãe. Na mesma noite, ambas compareceram pessoalmente a uma base da Polícia Militar para solicitar o registro oficial e resguardar a integridade física da menor.
Estado anuncia medidas pedagógicas e contesta ameaça
Procurada pela nossa equipe de reportagem, a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) emitiu uma nota oficial na qual repudia com veemência todas as formas de discriminação e reafirma o combate ao racismo no ambiente escolar. O órgão confirmou que a direção da Escola Estadual Júlio Soares convocou os responsáveis para alinhamento e acionou o Núcleo de Acolhimento Educacional (NAE). O núcleo, composto por psicólogos e assistentes sociais, deve iniciar palestras e oficinas preventivas sobre bullying e racismo na unidade.
Por outro lado, a Secretaria fez uma ressalva importante no documento enviado à direção da escola informou que, mediante as apurações internas realizadas até o momento, não identificou indícios ou casos de ameaça com dentro da instituição de ensino.
O caso segue sob responsabilidade da Polícia Civil.





