Durante a Audiência Geral desta quarta-feira (4), o Papa Leão XIV afirmou que Deus continua a falar aos homens e mulheres de todos os tempos por meio da Bíblia, mas ressaltou que essa Palavra divina, expressa em linguagem humana, deve ser interpretada sem reducionismos ou fundamentalismos. A catequese deu continuidade ao ciclo de reflexões sobre o Concílio Vaticano II e foi realizada na Sala Paulo VI, com a presença de milhares de fiéis.
No início de sua reflexão, o Pontífice recordou a Constituição Conciliar Dei Verbum, destacando que a Sagrada Escritura, lida na Tradição viva da Igreja, é um espaço privilegiado de encontro com Deus. Segundo ele, os textos bíblicos não foram escritos em uma linguagem celestial, mas em línguas humanas, marcadas pela história e pela cultura de seus autores, o que revela a forma como Deus escolheu comunicar-se com a humanidade.
Ao abordar a relação entre o Autor divino e os autores humanos da Escritura, Leão XIV explicou que Deus é o principal autor da Bíblia, mas que os hagiógrafos são também verdadeiros autores dos textos sagrados. “Deus nunca menospreza o ser humano e as suas potencialidades”, afirmou o Papa, ao destacar a colaboração entre a ação divina e a liberdade humana na composição das Escrituras.
O Santo Padre alertou ainda para os riscos de leituras fundamentalistas ou espiritualistas da Bíblia, que desconsideram o contexto histórico e as formas literárias dos textos. Para ele, abandonar o estudo da linguagem humana usada por Deus pode levar a interpretações que traem o verdadeiro significado da Escritura e tornam o anúncio da Palavra ineficaz, distante da realidade, das esperanças e dos sofrimentos da humanidade.
Por outro lado, o Papa também advertiu contra a tentação de tratar a Escritura apenas como um texto do passado ou como objeto de estudo técnico. Especialmente quando proclamada na liturgia, a Palavra de Deus é viva e destinada a falar à vida dos fiéis hoje, iluminando escolhas e decisões, quando lida sob a ação do mesmo Espírito que a inspirou.
Ao concluir a catequese, Leão XIV recordou que o Evangelho não pode ser reduzido a uma mensagem meramente social ou filantrópica, pois é anúncio da vida plena e eterna oferecida por Deus em Jesus Cristo. O Papa convidou os fiéis a agradecerem a Deus pelo dom da sua Palavra e pediu que a vida e o testemunho dos cristãos não obscureçam o amor divino que nela se revela.





