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MPF denuncia 12 pessoas por esquema de contrabando de migrantes em Governador Valadares

Liderada por membros da mesma família, rede transnacional enviou ilegalmente 673 brasileiros aos EUA e movimentou R$ 40 milhões.

by Igor França
agosto 26, 2026
in Governador Valadares
MPF denuncia 12 pessoas por esquema de contrabando de migrantes em Governador Valadares
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O Ministério Público Federal (MPF), por meio da Unidade Nacional de Enfrentamento ao Tráfico Internacional de Pessoas e ao Contrabando de Migrantes (UNTC/MPF), denunciou 12 pessoas à Justiça Federal de Minas Gerais por integrarem uma organização criminosa transnacional. Sediada na região de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, a rede chefiada por integrantes de uma mesma família viabilizou a travessia ilegal de 673 brasileiros para os Estados Unidos entre 2017 e 2023. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (26), pelo Ministério Público Federal.

Além das condenações criminais, o MPF solicita o confisco do patrimônio acumulado ilicitamente e o bloqueio de R$ 44,7 milhões para reparação de prejuízos e danos morais coletivos.

Como funcionava a estrutura e a cobrança do grupo

A organização era comandada por dois irmãos, que gerenciavam o fluxo financeiro e logístico desde a captação das vítimas no Leste de Minas até a travessia na fronteira norte-americana.

  • Valores cobrados: A cobrança variava de R$ 50 mil a R$ 100 mil por migrante.

  • Garantias de pagamento: As vítimas entregavam veículos, assinavam notas promissórias, termos de confissão de dívida e procurações para alienação de imóveis.

  • Marketing enganoso: O grupo exigia que os viajantes gravassem vídeos elogiando o serviço durante o percurso para atrair novos clientes na região.

Rotas de risco, documentos falsos e o método “cai-cai”

Apesar das promessas de segurança, a investigação revelou que os migrantes eram submetidos a alojamentos superlotados, privação de água e alimento, além do risco de extorsão e sequestro por cartéis no México.

  • Falsificação de documentos: A rede adulterava cartões de vacina e papéis de proteção humanitária para permitir a entrada no México sob o pretexto de asilo.

  • Uso do método “cai-cai”: Adultos eram incentivados a viajar com crianças para dificultar a deportação imediata pelas autoridades americanas. Do total de migrantes identificados na Operação Siblings, 223 eram menores de idade (32,4%).

  • Orientação na chegada: Ao atingirem o destino, os brasileiros eram instruídos a descartar os documentos e contavam com advogados pagos pelo grupo sob a condição de não revelar o esquema.

Lavagem de dinheiro e movimentação imobiliária

Os lucros da atividade ilícita — estimados em mais de R$ 40 milhões — eram movimentados em contas de “laranjas” e abertas com documentos falsificados.

Para integrar o dinheiro ao patrimônio formal dos líderes, a organização adquiria imóveis rurais, apartamentos e veículos de luxo.

O que prevê a legislação brasileira

O contrabando de migrantes é tipificado no artigo 232-A do Código Penal (promoção de migração ilegal).

  • Pena base: Reclusão de 2 a 5 anos e multa.

  • Agravantes: As penas podem ser ampliadas quando há participação de crianças ou adolescentes, reiteração da conduta, uso de violência ou exposição da vítima a risco de vida e integridade física.

Se a Justiça aceitar a denúncia do MPF, os 12 acusados se tornaram réus e responderão pelos crimes de organização criminosa transnacional, contrabando de migrantes, uso de documento falso e lavagem de dinheiro.

Autor

  • Igor França

    Igor França, atua como repórter em diferentes editorias na Rádio Mundo Melhor. Jornalista formado pela Universidade Vale do Rio Doce (Univale), teve atuação de destaque como repórter do Diário do Rio Doce.

Tags: EstadosUnidosgovernadorvaladareslestedeminasMPF

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