O Governo de Minas Gerais, em parceria com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), lançou nesta segunda-feira (4/8) a campanha “A violência que os olhos não veem”, como parte das ações do Agosto Lilás — mês dedicado à conscientização pelo fim da violência contra a mulher. O evento foi realizado no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, reunindo autoridades do sistema de Justiça e de políticas públicas para mulheres.
A iniciativa tem como foco alertar para formas de violência menos perceptíveis, mas igualmente danosas, como a violência psicológica, moral, patrimonial e sexual. A mensagem central da campanha reforça esse conceito: “Nem toda violência deixa marcas visíveis, mas toda violência machuca.”
Idealizada pelo MPMG, a campanha é executada pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), por meio da Subsecretaria de Políticas para Mulheres (Subpdm), e faz parte do esforço contínuo do Estado para ampliar o enfrentamento à violência de gênero.
Com uma abordagem visual impactante e acessível, a campanha utiliza metáforas como o “iceberg da violência” — para ilustrar as dimensões visíveis e ocultas das agressões — e a “fogueira da violência”, que representa a escalada de abusos invisíveis. O material inclui cartazes, folders, vídeos e conteúdos digitais que serão distribuídos a municípios, unidades de saúde, assistência social e promotorias em todo o estado ao longo do segundo semestre.
A proposta é atingir diretamente mulheres que utilizam serviços públicos, além de sensibilizar profissionais das redes de saúde e assistência social sobre sinais e formas de acolhimento e encaminhamento adequados.
Dados apontam avanços, mas desafios persistem
De acordo com dados do Governo de Minas, as ações integradas entre órgãos de Justiça, segurança pública e assistência social vêm contribuindo para a redução dos casos de feminicídio no estado. No primeiro semestre de 2024, foram registrados 72 feminicídios consumados, contra 83 no mesmo período de 2023 — uma queda de 13,2%. No total anual, a redução foi de 10,2%: de 186 casos em 2023 para 167 em 2024.
Apesar dos avanços, o número de tentativas de feminicídio permanece preocupante, o que reforça a necessidade de campanhas como esta, que buscam encorajar a denúncia e ampliar o acesso das vítimas à rede de proteção.
Canais de apoio e denúncia
A campanha também divulga os principais canais de atendimento e denúncia disponíveis no estado, como o Disque 181, o Disque 127, e os serviços oferecidos pelos Centros de Referência de Atendimento à Mulher (Cream), CRAS e CREAS. A orientação é que qualquer mulher que enfrente situações de violência — visível ou não — procure ajuda e não permaneça em silêncio.





