Governador Valadares se prepara para receber, pela primeira vez, a orquestra Jovem Vale Música em uma apresentação especial de São João. No dia 20 de junho, às 20 horas, o Teatro Atiaia será o palco do espetáculo “Arraiá Sinfônico”. A apresentação é totalmente gratuita e promete celebrar grandes nomes da cultura popular brasileira, promovendo um intercâmbio cultural inesquecível na região do Vale do Rio Doce.
O concerto traz uma abordagem diferente para clássicos do forró, xote e baião. Sob a regência do maestro Lucas Anizio, o repertório homenageará a obra de Dominguinhos, além de trazer canções consagradas de ícones como Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho. No programa, o público poderá cantar junto músicas como Anunciação, Lamento Sertanejo, Coração Bobo e Chão de Giz.
“Selecionamos canções com lindas melodias e letras inesquecíveis dentro do forró, do xote e do baião, entre outros ritmos populares que receberam roupagem sinfônica através de arranjos preparados especialmente para o espetáculo. Tudo foi pensado com muito carinho e esperamos que o público aprecie este momento”, explicou o maestro Lucas Anizio.
O que esperar da apresentação da Orquestra Jovem Vale Música em Governador Valadares?
O Arraiá Sinfônico realiza uma fusão entre o erudito e o popular. Instrumentos tradicionais de uma orquestra clássica — como violinos, flautas, clarinetes e fagotes — ganham o palco para dar uma roupagem sinfônica aos ritmos tradicionais do Nordeste brasileiro. A proposta busca emocionar o público ao tirar a música regional do rádio e inseri-la na potência de uma orquestra instrumental de excelência.
“Vai ter o violino, a flauta, o clarinete, o fagote, instrumentos eruditos que estamos acostumados a ver nos teatros tocando música clássica, e estaremos tocando a música brasileira, a música popular, a música que é ouvida nas rádios, o forró. Eu tenho certeza que as pessoas vão se admirar e elas vão se emocionar junto conosco”, disse Lucas Anizio.
A música como ferramenta de transformação social e profissional
Muito além do espetáculo artístico, o projeto Vale Música — que completa 26 anos de história no Espírito Santo e conta com o patrocínio da Vale. A diretora executiva da Estação Conhecimento Serra (instituição gestora do projeto), Ana Angélica Motta, pontua que a iniciativa vai além da formação de instrumentistas.
“Estimulamos a criatividade. Nem todos se tornarão músicos, mas todos se tornarão bons cidadãos para a sociedade. Aprendem através da música a disciplina, a importância do estudo, a importância de permanecer mais tempo na escola para que eles tenham a oportunidade de modificar a própria história.”
Ana Angélica também ressaltou o sucesso do intercâmbio com grandes instituições, como a Orquestra Sinfônica Brasileira, e o orgulho de ver talentos ganhando o mundo.
“Temos hoje jovens que iniciaram na música conosco e que hoje estão dando aula nas universidades federais, tocando nas grandes orquestras da Marinha, do Exército, no Conservatório de Tatuí. A gente forma e as grandes orquestras levam. Ficamos tristes deles irem, mas é para isso que a gente está aqui: para fazer essa formação e fazer com que eles ganhem o mundo.”
Histórias de vida moldadas pela trajetória na orquestra
O impacto na vida real é confirmado por quem está no palco. O maestro Lucas Anizio é o reflexo direto desse ciclo de transformação: ele iniciou sua jornada no projeto como aluno de violino, tornou-se professor e, desde 2018, atua como regente titular da Orquestra Jovem.
“Eu costumo dizer que a música transforma vidas. A minha vida foi transformada através do Vale Música. Dentro deste tempo todo, eu pude contemplar vidas sendo transformadas também. As pessoas vão se envolver, se emocionar, dançar, cantar e se divertir numa noite mágica. É música brasileira, não tem como ficar parado.”
Para os integrantes da formação, a viagem a Governador Valadares representa uma etapa marcante de suas carreiras. Aos 25 anos, a violista Ingride Miranda da Silva Narciso, que está há 13 anos no projeto, explica como o Vale Música mudou a perspectiva de sua própria família:
“Quando entrei no projeto, eu era uma adolescente tentando entender de que forma a música ia se inserir na minha vida, como se fosse um hobby. Participar do Vale Música fez com que eu enxergasse a música como uma possibilidade de profissão. Hoje sou licenciada em música e atuo no mercado. Subir ao palco e ver as pessoas acompanhando é me sentir realizada.”
Quem compartilha do mesmo sentimento é o trompetista Ailton Silva Santos Júnior, de 29 anos, que integra a orquestra há mais de uma década. Ele recorda o impacto das apresentações e celebra a oportunidade de se apresentar em solo valadarense:
“A cidade é muito bonita, um clima muito legal e a comida é muito gostosa. Levar um pouquinho do que a gente tem feito lá na Grande Vitória é sempre muito importante e agrega muito para a nossa formação. A sensação de estar no palco é sempre muito boa, de extrema alegria poder tocar músicas que a gente admira.”





