A Câmara Municipal de Governador Valadares (MG) confirmou a cassação do mandato do prefeito Coronel Sandro (PL), em Reunião Extraordinária realizada na manhã desta quinta-feira (14). Sandro Lúcio da Fonseca respondia a um processo de investigação por infração político-administrativa, no qual foram constatadas irregularidades no processo de contratação do serviço de transporte escolar junto ao Consórcio Interfederativo Minas Gerais (CIMINAS).
A votação que sacramentou o inédito impeachment de um prefeito de Governador Valadares contou com a presença dos 21 vereadores, todos aptos a votar, incluindo o presidente da Casa, Alê Ferraz (Novo), que presidiu a reunião desta quinta-feira. Para a cassação do mandato do prefeito, eram necessários dois terços da Câmara, ou seja, 14 votos favoráveis ao parecer conclusivo da Comissão Processante, elaborado pelo relator, o vereador Lei do Mãe de Deus (PMB), e aprovado por unanimidade pelos membros da Comissão na última sexta-feira (08). A votação terminou em 18 votos pela cassação contra 3 votos a favor do prefeito.
A Reunião Extraordinária ocorreu em um ambiente de muita tensão, com a presença de diversos apoiadores de Coronel Sandro dentro e fora da Câmara, além de cidadãos que se manifestavam a favor da cassação. A segurança da Casa Legislativa precisou ser reforçada, com o apoio da Polícia Militar, para evitar e conter eventuais tumultos.
Com a perda do mandato, Coronel Sandro se torna inelegível por 8 anos, podendo ainda sofrer eventuais processos cíveis ou criminais. Com a remoção de Coronel Sandro do cargo, o vice-prefeito José Bonifácio Mourão (PL) assume automaticamente a função de prefeito em exercício. Ele será empossado oficialmente em audiência marcada para as 10h desta sexta-feira (15), na Câmara de Valadares.
Caso Mourão se declare impossibilitado de assumir a chefia do Executivo Municipal, o presidente da Câmara, vereador Alê Ferraz (Novo) assume o cargo de prefeito interino e deve convocar novas eleições.

Investigações
As investigações sobre a denúncia contra o prefeito começaram após a após a aprovação do recebimento da denúncia e formação da Comissão Processante, no dia 2 de março de 2026. A Comissão era formada pelo presidente Amaral do Povo (Avante), o relator Lei do Mãe de Deus (PMB) e o membro Jamir Calili (Progressistas).
A Comissão avaliou provas documentais e testemunhais apresentadas pela defesa e pela acusação, realizou oitivas em que foram ouvidos depoimentos de representantes do CIMINAS, da Secretária Municipal de Educação, do então prefeito Coronel Sandro e outros indivíduos arrolados pela defesa de Sandro.
Nos momentos mais acalorados das audiências, a defesa do prefeito teve um pedido de realização de perícia técnica negado pela Comissão, além de pedidos de adiamento do depoimento do então prefeito e suspensão do presidente da Comissão, além da própria Comissão, sobre a alegação de que Amaral do Povo teria oferecido até R$ 300 mil ao relator Lei do Mãe de Deus para produção de um parecer favorável à denúncia contra o então prefeito.

Denúncia no MPMG
Na última segunda-feira (11), Coronel Sandro protocolou no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) uma denúncia contra o presidente da Comissão Processante, o vereador Amaral do Povo (Avante), por corrupção. O prefeito alega que o parlamentar teria oferecido o pagamento de R$ 300 mil ao relator da Comissão, o vereador Lei do Mãe de Deus (PMB), para que ele apresentasse um parecer conclusivo contrário ao chefe do Executivo. Na última sexta-feira (08), a Comissão Processante aprovou por unanimidade o parecer conclusivo que se manifestou favorável à denúncia contra o prefeito.
Em nota, a assessoria do vereador Lei do Mãe de Deus (PMB) disse que “neste momento, não irá se pronunciar publicamente sobre o assunto e diz que está aguardando a devida apuração dos fatos pelas autoridades competentes e reitera o respeito à transparência, ao devido processo e à responsabilidade na condução de qualquer manifestação oficial”. A assessoria do vereador Amaral do Povo (Avante) explicou que não vai se pronunciar sobre o assunto.
Cassação inédita em Valadares
Sandro Lúcio da Fonseca, o Coronel Sandro (PL), é o primeiro prefeito de Governador Valadares a ter o mandato cassado pela Câmara Municipal. Ele foi eleito em 2024, com uma votação histórica de 69.694 votos, representando 52,95% dos votos válidos.
Entre suas primeiras ações nos dois anos de governo, Coronel Sandro revelou o que chamou de rombo financeiro nos cofres da Prefeitura de Valadares, que estaria enfrentando dificuldades financeiras que dificultavam os primeiros meses de trabalho. O então prefeito da cidade disse que faria um trabalho de recuperação da capacidade financeira do Município.
Entre os destaques de suas ações como prefeito, está o programa “Rua Não é Lar”, que encaminhou centenas de moradores em situação de rua para abrigos na cidade ou de volta para seus municípios de origem.

Nova denúncia havia sido aceita pela Câmara
A Câmara Municipal de Governador Valadares (MG) aceitou, na noite dessa terça-feira (12), uma nova denúncia contra o prefeito Coronel Sandro (PL). A nova denúncia é relacionada a suposta compra supervalorizada de kits de material escolar, que foram entregues aos estudantes da Rede Municipal. Além disso, a denúncia aponta supostas irregularidades na quantidade de kits comprados, que seria superior à quantidade de alunos da Rede Municipal.
Uma nova Comissão Processante foi formada, com previsão de início dos trabalhos para a próxima sexta-feira (15), no entanto, com a cassação do mandato de Coronel Sandro, a nova Comissão pode não iniciar seus trabalhos.
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