A Câmara Municipal de Governador Valadares (MG) aceitou, na noite dessa terça-feira (12), uma nova denúncia contra o prefeito Coronel Sandro (PL). A nova denúncia é relacionada a suposta compra supervalorizada de kits de material escolar, que foram entregues aos estudantes da Rede Municipal. Além disso, a denúncia aponta supostas irregularidades na quantidade de kits comprados, que seria superior à quantidade de alunos da Rede Municipal.
A nova denúncia aponta, em um documento de 34 páginas, que a Prefeitura de Valadares não teria utilizado atas de registro de preços do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), do Consórcio Público para o Desenvolvimento do Alto Paranaíba (Codap) e do Consórcio Intermunicipal de Educação e Ensino do Paraná (Ciedepar) que apresentariam os mesmos itens do kit escolar por preços inferiores aos apresentados na Ata de Registro de Preços do Consórcio de Desenvolvimento do Vale do Rio Grande (Codevar).
Entre as diferenças de preços levantadas pelos denunciantes está o valor de R$ 2,5 milhões, considerando que, segundo o documento, o Ciedepar apresentava mochilas infantis com carrinho por R$ 85,40 cada, e mochilas de alça por R$ 38,64 cada, respectivamente. O Município teria comprado os mesmos produtos pelos valores de R$ 218,90 cada e R$ 217,90 cada, respectivamente.

Além disso, a denúncia contra o chefe do Executivo Municipal alega que foram comprados 5.762 kits escolares, enquanto a Rede Municipal possuía 3.506 estudantes matriculados na educação infantil no ano de 2025. Ainda conforme a denúncia, o prefeito de Valadares teria agido com negligência e cometido infração político-administrativa.
Conforme a Câmara de Valadares, 13 vereadores votaram favoravelmente ao recebimento da denúncia, seis vereadores votaram contra. A vereadora Fernanda Braz (DC) não participou da reunião, e o presidente da Câmara, Alê Ferraz (Novo), não vota nas deliberações.
Ao aceitar a nova denúncia, a Câmara abriu uma nova Comissão Processante, que deve iniciar os trabalhos com uma reunião marcada para a próxima sexta-feira (15), ás 16h. A Comissão será presidida pelo vereador Betão do Porto (União Brasil), tendo como relatora a vereadora Sandra Perpétuo (PT) e o vereador Ulysses Gomes (Republicanos) como membro.
Prefeito já é alvo de processo de impeachment
Coronel Sandro (PL) já é alvo de um processo de impeachment por supostas irregularidades no contrato do transporte escolar. Nesta quinta-feira (14), a Câmara vota pelo arquivamento do processo ou pela cassação do mandato do prefeito. os 21 vereadores participarão da votação marcada para ocorrer a partir das 9h30. Caso 14 parlamentares votem favoráveis ao parecer conclusivo da Comissão Processante, o prefeito terá o mandato cassado. Esta seria a primeira vez na história de Governador Valadares em que um prefeito é removido do cargo pelo processo de impeachment. Caso o número de votos favoráveis ao parecer da Comissão Processante seja menor que 14, o processo será arquivado.
A Prefeitura de Valadares e o prefeito Coronel Sandro ainda não se manifestou sobre o assunto.
Prefeito denuncia presidente da Comissão Processante
Na última segunda-feira (11), Coronel Sandro protocolou no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) uma denúncia contra o presidente da Comissão Processante, o vereador Amaral do Povo (Avante), por corrupção. O prefeito alega que o parlamentar teria oferecido o pagamento de R$ 300 mil ao relator da Comissão, o vereador Lei do Mãe de Deus (PMB), para que ele apresentasse um parecer conclusivo contrário ao chefe do Executivo. Na última sexta-feira (08), a Comissão Processante aprovou por unanimidade o parecer conclusivo que se manifestou favorável à denúncia contra o prefeito.
Em nota, a assessoria do vereador Lei do Mãe de Deus (PMB) disse que “neste momento, não irá se pronunciar publicamente sobre o assunto e diz que está aguardando a devida apuração dos fatos pelas autoridades competentes e reitera o respeito à transparência, ao devido processo e à responsabilidade na condução de qualquer manifestação oficial”. A assessoria do vereador Amaral do Povo (Avante) explicou que não vai se pronunciar sobre o assunto.
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